O novo ministério e o capital

Enxergando a árvore e a floresta…

Luíz Müller Blog

Marcus Ianoni*
No capitalismo, o capital e os capitalistas que o representam possuem poder público. Há uma limitação estrutural aos governantes no sentido de manter níveis minimamente aceitáveis de atendimento das demandas do sistema econômico baseado nas relações capitalistas de produção. Sem acumulação de capital, não se realizam três rendas fundamentais: lucro, salário e receita tributária (renda públic

O poder público estrutural do capital, obviamente, não é indiferente à conjuntura, sobretudo à relação de forças entre capitalistas e trabalhadores. Uma virada na conjuntura pode, também, provocar um efeito estrutural, de duração mais longa, na relação de forças. Desde 2003, essa relação de forças, em linhas gerais, movimentou-se em dois sentidos. Por um lado, configurou um maior equilíbrio entre capital e trabalho, por outro, deslocou, em alguma medida, o capital produtivo – até então subordinado ao setor hegemônico da coalizão neoliberal, constituído pelas forças da financeirização –…

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Drummond e a eleição de Dilma

O chamado do poeta não é bem pela própria vida, é pela vida de todos nós. Ele chega a ironizar com os mais delicados, que preferem morrer em especial solidão. Chegou um tempo que não adianta morrer, diz Drummond. A defesa da vontade popular é uma ordem.

Ainda diz Drumond: “tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo” foram citados no discurso de Miguel Arraes, quando tomou posse em seu primeiro governo em Pernambuco. Que distância para hoje, não do poeta, mas da poesia de Drummond para esse PSB que se aliou à direita brasileira com Aécio! Para quê Drummond neste tempo de pragmatismo traiçoeiro? É claro que não podemos nos conformar com essa fatalidade, pois temos na memória um tempo “cheio de escravos, que por minhas lembranças escorrem”.

O diabo é que para um quadro tão bonito de afirmação da democracia, a direita brasileira não se conforma. Quer um golpe de Estado. Penso que ela não aguenta ter de lembrar e ouvir todos os dias, nas ruas e no mundo, um poema do livro José, de 1942, nestes nocauteantes versos:

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros…

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.

Ou como o povo traduziu o poema “José” nestes dias: “perdeu, playboy”. Ganhamos todos, dos muitos nordestes de todo o Brasil.

Blog da Boitempo

No último dia 31, foi dia de Drummond e da grande vitória de Dilma. Sim, foi dia também da grande vitória de Dilma, que continua a ecoar e continuará a fazer eco pelo menos nos próximos 30 anos. Mas como ligar dias de Drummond e de Dilma na aparência tão distantes?

Comecemos pelo poema “Brinde no Juízo Final”, do livro Sentimento do Mundo, publicado em 1940:

Brinde no Juízo final

Poeta de camiseiro chegou vossa hora,
Poetas de elixir de inhame e tonofosfã,

Chegou vossa hora, poetas do bonde e do rádio,
Poeta jamais acadêmicos, último ouro do Brasil.

Em vão assassinaram a poesia nos livros,
Em vão houve putsch, tropas de assalto, depurações.
Os sobreviventes aqui estão poetas honrados,
Poetas diretos da Rua Larga.

(As outras ruas são muito estreitas),
Só nesta cabem a poeira,

O amor
E a Light

Mais de uma pessoa…

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